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09 01 26 Regional 3 Quem somos José Lucas Vieira NoticiaMinha trajetória acadêmica é totalmente conectada à catálise. Entrei no Bacharelado em Química na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2015, curioso, mas sem direção definida. Foi no grupo GreenCat, sob orientação do Prof. Dr. Jean Marcel R. Gallo, que tive meu primeiro contato real com catálise heterogênea e biomassa, estudando catalisadores à base de nióbio para a conversão de monossacarídeos em 5-hidroximetilfurfural e furfural. Ali percebi que a catálise unia o que eu buscava: rigor científico e interdisciplinaridade, exigindo domínio integrado de áreas da Química e da Engenharia Química.

Os eventos da Sociedade Brasileira de Catálise (SBCat) começaram a mudar minha forma de enxergar a ciência. No XII Encontro Regional de Catálise, em 2016, eu era um aluno de IC impressionado com as discussões após cada palestra. No CBCat de 2017, fiz minha primeira apresentação oral, venci o medo e saí do auditório com uma colaboração com a CBMM e reagentes de nióbio para o meu projeto. Foi a primeira vez que senti que eu podia contribuir para a comunidade de catálise.

Concluí a graduação em 2018 na UFSCar, recebi prêmios acadêmicos e ingressei diretamente no doutorado em Química Inorgânica, sob supervisão do Dr. Caue Ribeiro de Oliveira e do Prof. Dr. Jean Marcel R. Gallo. Aprofundei-me em catalisadores bifuncionais à base de nióbio e em carbonos ácidos, com a biomassa como ponto de partida. A experiência de intercâmbio na University of Eastern Piedmont (UPO, Itália), estudando acidez superficial por FTIR com moléculas sonda, e o período como doutorando visitante na King Abdullah University of Science and Technology (KAUST, Arábia Saudita), desenvolvendo modelos cinéticos, ampliaram horizontes, idiomas e redes.

Em 2024 defendi o doutorado com honra e, pouco depois, iniciei o pós-doutorado, primeiro no Brasil, no grupo LabIvo, do Prof. Dr. Ivo Teixeira, onde me aprofundei em análises avançadas, otimizando métodos cromatográficos em GC-BID para reações fotocatalíticas de conversão de metano. Essa etapa refinou meu olhar para detalhes e mostrou como uma boa análise é tão decisiva quanto um bom catalisador.

Em seguida, em 2025, vim para a King Abdullah University of Science and Technology (KAUST, Arábia Saudita), onde atuo como pesquisador de pós-doutorado no grupo MuRE, liderado pelo Prof. Dr. Pedro Castaño. Meu trabalho é dedicado a desafios energéticos atuais, em projetos que vão desde a liquefação hidrotérmica de algas – transformando biomassa úmida em bio-óleo e reaproveitando a fase aquosa como meio nutritivo para o crescimento de mais algas – até a síntese de fosfetos de metais de transição para reações de hidrodenitrogenação e hidrodesoxigenação de bio-óleos, além do estudo de desasfaltamento catalítico de resíduos pesados de petróleo em parceria com a Aramco. No dia a dia, isso significa operar reatores em alta pressão, interpretar dados de múltiplas técnicas e dialogar com engenheiros e químicos para transformar ideias em processos. Hoje, a catálise é mais do que minha área de pesquisa: é a lente pela qual enxergo problemas energéticos, ambientais e industriais.

O impacto da catálise na minha vida vai além do laboratório. Nos congressos da SBCat encontrei mentores, amigos e até parceiros de música. Ver professores subirem ao palco para tocar e, depois, criar com amigos o grupo "Pagode Catalítico" mostrou que a ciência pode ser exigente e, ao mesmo tempo, leve e humana. A honra de atuar como embaixador da SBCat na Regional 3, em 2025, reforçou meu desejo de "catalisar a catálise": aproximar pessoas, suavizar barreiras e mostrar que, por trás de cada reação, há histórias e emoções.

Se hoje me vejo como cientista, é porque a catálise me deu uma voz, um propósito e uma comunidade. Ela me levou para outros países, me ensinou a dialogar com diferentes culturas e mostrou que moléculas convertidas, processos otimizados e alunos inspirados podem, pouco a pouco, transformar a realidade ao nosso redor.

05 01 Regional 1 Pesquisadora Aline Estefany NoticiaMinha trajetória em catálise começou no mestrado. Sou graduada em Licenciatura Plena em Química pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), onde fiz minha primeira iniciação científica na área de eletroquímica, estudando sensores (microeletrodos) para detecção de fármacos em meio aquoso, sob orientação do Prof. Dr. Reginaldo da Silva Santos. Essa experiência despertou meu interesse pela pesquisa e o desejo de seguir carreira acadêmica.

Ao ingressar no mestrado da Universidade Federal do Piauí (UFPI), passei a estudar catálise. Sob orientação do Prof. Dr. Geraldo Eduardo da Luz Júnior e coorientação do Prof. Dr. Reginaldo da Silva Santos, comecei a trabalhar com fotocatálise para degradação de contaminantes emergentes, utilizando óxidos semicondutores. Meu desejo era continuar atuando na eletroquímica, e isso nos levou a investigar filmes semicondutores com aplicações fotoeletrocatalíticas. Hoje, o nosso grupo, o GrEEnTec (Grupo de Estudos em Energias Renováveis & Tecnologias em Catálise), segue atuando com filmes semicondutores e catálise voltada à remediação ambiental.

No doutorado, também na UFPI, aprofundei a linha de pesquisa em fotocatálise, desenvolvendo compósitos e filmes semicondutores em heterojunções para aplicações ambientais. Foi nesse período que comecei a participar mais ativamente de eventos científicos. Lembro com muito carinho do meu primeiro ENCAT (Encontro de Catálise do Norte, Nordeste e Centro-Oeste), realizado em Belém (PA), que foi um momento de grande aprendizado e integração com a comunidade científica. Depois, participei do Congresso Brasileiro de Catálise (CBCat), em São Paulo, e desde então sempre aguardo com entusiasmo nossos encontros, que enriquecem muito nossa formação.

Durante o doutorado, realizei estágio sanduíche no Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), no Departamento de Química da UFSCar, sob supervisão do Prof. Dr. Elson Longo. Essa vivência trouxe um grande crescimento científico e pessoal, além de fortalecer parcerias com o professor Elson e com a Profa. Dra. Lúcia Helena Mascaro. Em 2022, pela Regional 1 (Norte, Nordeste e Centro-Oeste), tive a oportunidade de contribuir com a organização da 13ª edição do ENCAT, realizada remotamente e sediada pela comunidade de Teresina (PI).

Nos últimos anos do doutorado, atuei como professora substituta no Instituto Federal do Piauí (IFPI) enquanto finalizava minha tese. Depois, participei de processos seletivos de pós-doutorado em outros estados, mas acabei decidindo permanecer no Piauí por questões de saúde. Realizei então meu estágio pós-doutoral na UESPI, sob supervisão do Prof. Dr. Laécio Cavalcante, que sempre foi um grande colaborador das nossas pesquisas. Nesse período, participei da coorientação de dois mestrandos e alunos de iniciação científica.

Atualmente, sou Professora EBTT efetiva do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e mantenho parcerias de pesquisa com o Programa de Pós-Graduação em Química da UESPI (PPGQ-UESPI). Também atuo como professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede BIONORTE (PPG-BIONORTE).

A pesquisa abriu muitas portas na minha vida, tanto profissional quanto pessoal. Meu objetivo é continuar desenvolvendo trabalhos nas áreas de catálise e remediação ambiental, contribuindo para soluções que impactem positivamente a sociedade e o meio ambiente.

12 12 SBCAT Regional 3 quem somos Ivo Freitas Teixeira Noticia copiarSou mineiro nascido em Brasília e tenho muito orgulho de viver e trabalhar em São Carlos (SP), a cidade da tecnologia. Sempre digo aos meus alunos que a química é a ciência da transformação, e a catálise a ciência que acelera essa transformação. Talvez por isso eu tenha me apaixonado por essa área. A catálise é a área de quem tem pressa em mudar o mundo.

Minha história com a ciência, porém, começou muito antes da universidade, na cozinha da minha mãe, onde bicarbonato, vinagre e bolinhas de óleo despertavam mais curiosidade do que qualquer brinquedo. Buscando respostas para essas pequenas perguntas, descobri minha vocação científica.

Graduei-me em Química pela UFMG em 2012, onde logo no primeiro semestre iniciei iniciação científica no laboratório do Prof. Rochel Lago. Ter o Prof. Rochel como professor e orientador foi um privilégio: um cientista brilhante, criativo e inspirador. Trabalhei com ele por cinco anos, entre IC e mestrado, e até hoje o considero minha principal referência acadêmica.

Durante o meu mestrado, tive a oportunidade de realizar um estágio sanduíche de seis meses na University of Guelph (Canadá), sob a supervisão do Prof. Marcel Schlaf. Diferentemente do Prof. Rochel, com quem eu havia aprendido a pensar de forma criativa e a buscar soluções fora do convencional, Marcel tinha um perfil profundamente metódico, preciso e organizado — características que, à época, certamente não faziam parte do meu modo de trabalhar.

Essa diferença de estilos, longe de ser um obstáculo, tornou-se uma grande fonte de aprendizado. Lembro-me claramente do dia em que ele me disse: “Ivo, você trabalha muito e pensa pouco.” Embora direto, ele estava absolutamente certo. Essa frase se tornou um marco na minha formação e, até hoje, é um ensinamento que faço questão de transmitir aos meus alunos.

No doutorado (2013-2017), aprofundei-me em catálise sob supervisão do Prof. Edman Tsang, na Universidade de Oxford (Reino Unido), estudando conversão de biomassa com zeólitas. Trabalhar com biomassa não foi fácil, mas conseguimos demonstrar uma rota eficiente para converter compostos furânicos da biomassa em aromáticos usando etanol, uma contribuição relevante para a área.

De volta ao Brasil, realizei um breve pós-doutorado no IQ-USP com o Prof. Pedro Camargo (2017-2019), e, cerca de um ano depois, fui aprovado como docente no Departamento de Química da UFSCar. Iniciar um grupo de pesquisa com poucos recursos foi um desafio hercúleo; meus alunos brincam que cheguei à UFSCar com “uma chapa de aquecimento, uma lâmpada e um sonho”. A limitação orçamentária me levou da termocatálise para a fotocatálise — decisão que se revelou acertada.

No primeiro semestre como docente, submeti um projeto JP FAPESP, inicialmente negado pela falta de experiência internacional no pós-doc. Embora frustrante, esse revés abriu portas importantes: em 2020 iniciei um período como professor visitante no grupo do Prof. Markus Antonietti, no Max Planck Institute of Colloids and Interfaces (Alemanha), referência mundial e “pai” dos nitretos de carbono — materiais pelos quais eu já tinha grande interesse desde o doutorado.

Os conhecimentos e os contatos que construí durante o período como professor visitante no exterior me abriram portas para voos muito mais altos. Ao retornar ao Brasil, meu projeto JP foi finalmente aprovado, e tivemos a sorte de aprovar outros pedidos de financiamento, isso nos deu a base necessária para consolidar um grupo de pesquisa bastante produtivo na área de fotocatálise. Hoje, tenho a alegria de orientar um grupo diverso com quase vinte alunos, e diariamente eu compartilho com eles o meu sonho de mudar o mundo através da ciência.

29 12 Regional 1 Quem somos Adriana Perpetua NoticiaGostaria de agradecer à SBCat pela oportunidade de contar um pouco da minha história. Eu já li vários relatos de pessoas que admiro nesta seção, que considero de grande relevância, e não imaginei que um deles poderia ser o meu. 

Eu nasci em São Paulo/SP, porém, após a morte da minha mãe, quando eu ainda era criança, vim morar no estado do Rio Grande do Norte com a minha avó materna, na cidade de Macau. Eu sempre estudei em instituições públicas. Mas vamos catalisar para a parte na qual fui apresentada à Química. 

Em 2010, entrei no curso técnico de nível médio integrado em Química no IFRN – Campus Macau. Fui apresentada à Química, área que escolhi seguir, pois me apaixonei ao longo do curso. Pela primeira vez, tive acesso a uma educação de excelência. Concluí o curso no período regular de quatro anos e, devido à minha dedicação, recebi o certificado de distinção acadêmica Magna cum laude. 

Iniciei meus estudos na UFRN em 2014, em Natal/RN, no curso de Química Licenciatura. Já sabendo da existência do programa de Iniciação Científica, assim que entrei na universidade, ainda no primeiro semestre de 2014, perguntei ao professor Tiago Pinheiro Braga se ele tinha algum projeto e demonstrei interesse em participar. Alguns meses depois, ele me convidou para ser sua primeira aluna de Iniciação Científica no LABPEMOL, onde fui muito bem acolhida também pela professora Sibele Pergher. No LABPEMOL fui apresentada à catálise e participei do meu primeiro ENCAT em 2014, em Recife/PE. Além da Iniciação Científica, também fui aluna do Programa de Iniciação à Docência (PIBID) e professora de Química no projeto de extensão — cursinho do DCE da UFRN. Estes dois últimos me fizeram crescer muito enquanto profissional docente.

Concluí o curso no período regular de quatro anos e, devido à minha dedicação, recebi novamente o certificado de distinção acadêmica Magna cum laude, como forma de reconhecimento ao alto desempenho durante o curso de Química Licenciatura. Achei muito importante ser eu, uma mulher negra, a receber essa homenagem em uma ciência que, por muitos anos, teve predominância masculina.

Em 2018, já no mestrado, iniciei os estudos com esferas híbridas de ferro e cobalto. Em fevereiro de 2020, defendi minha dissertação intitulada “Síntese da liga de Fe-Co pelo método de esferas híbridas utilizando carboximetilcelulose como direcionador e sua aplicação em catálise”. Também em 2018 fui professora substituta de Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) no Campus Centro Histórico. Foi uma experiência incrível, pois pude retornar à instituição que primeiro me formou como química e pude contribuir e aprender muito. Lecionei na instituição até 2019. 

Em fevereiro de 2020, iniciei o doutorado em Química no Programa de Pós-Graduação em Química da UFRN, desenvolvido no LABPEMOL, novamente sob orientação do professor Dr. Tiago Pinheiro Braga. A situação de pandemia dificultou bastante as pesquisas de bancada, mas consegui concluir as disciplinas e a docência assistida. No mesmo período, passei em um concurso como professora de Ciências no município de Parazinho/RN. Assim, realizei todo o doutorado também trabalhando. Em 2024, defendi minha tese intitulada “Síntese de nanotubos de carbono a partir da conversão catalítica do etilbenzeno sob óxidos de SrFe12O19/SiO₂: aplicação na fotodegradação do corante industrial remazol vermelho”. Gostaria de adicionar que consegui apresentar a primeira parte do meu trabalho de doutorado no CBCat 2023 após receber o Prêmio Victor Teixeira da SBCat. 

Em 2025, iniciei como pesquisadora no projeto “Avaliação catalítica de componentes de catalisadores de FCC com sistema de poros hierarquizados”, sob a coordenação da professora Sibele Pergher no LABPEMOL. É uma honra trabalhar com a professora Sibele. Também em 2025, fiz parte da equipe de apoio do 23° CBCat, onde fundamos o núcleo SBCat Jovem, do qual me tornei coordenadora. 

A catálise se tornou muito mais que uma área da ciência para mim. Ela diminuiu a energia de ativação, encurtando o caminho reacional para que eu alcance meus sonhos. Acredito que ainda tenho muito a aprender e a contribuir. Espero que a catálise e a SBCat continuem me acompanhando.

05 12 SBCAT Regional 2 Pesquisadora Adriana Maria NoticiaO meu primeiro contato com a catálise heterogênea foi na graduação em Engenharia Química, na disciplina de reatores químicos e cinética, o que me motivou a seguir o mestrado e o doutorado na área. Desde então, a catálise veio para ficar em minha vida.

Sem entrar em detalhes, posso afirmar que sempre tive muita sorte pelas oportunidades de trabalhar em instituições distintas e importantes (UNICAMP, INT, INMETRO, INPE, Virginia Tech – EUA), em temas diferenciados, com pesquisadores de alto nível, contribuindo decisivamente para a profissional e a pessoa que hoje sou. Há que se dizer, também, que é necessária coragem para mudar tanto, pois sempre é um recomeço. Mas, inegavelmente, muito enriquecedor em termos de experiência.

Atualmente, atuo no Inmetro com foco na transição energética, dentro das áreas de (foto)catálise, desenvolvimento e caracterização de catalisadores e iniciando minhas atividades em eletrocatálise.

Considero que cada instituição foi um aprendizado e sou profundamente grata pelas oportunidades e colegas que moldaram meu crescimento pessoal e profissional. Minha trajetória é pautada pela ética e pela integridade, o que considero os pilares para uma pesquisa de alto nível.

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