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21 09 sbcat Noticia ProfWagnerA minha trajetória profissional teve início na Refinaria de Paulínia da PETROBRAS, como técnico de laboratório de 1983 a 1988. Concluí o Bacharelado em Química com Atribuições Tecnológicas na UNICAMP em 1990 (Licenciatura em 1991). Durante a minha graduação atuei como aluno de Iniciação Científica daquele que seria o grande responsável pela minha formação científica, o Prof. Dr. Ulf Schuchardt (que viria a ser o meu orientador de mestrado e de doutorado), como bolsista financiado pela empresa Nitrocarbono S/A e, posteriormente, pela FAPESP. Em 1992 finalizei o mestrado (em catálise homogênea – processos oxidativos biomiméticos) e, em 1997, o doutorado (catálise heterogênea – peneiras moleculares). Este trabalho foi pioneiro no país e entre os primeiros no mundo a tratar dos métodos de síntese de peneiras moleculares mesoporosas do tipo MCM-41 (uma colaboração com o Prof. Roger Sheldon, Delft University of Technology, Holanda).

A experiência didática teve início em 1988, como professor do ensino médio público e privado. No período de 1994 a 2008 atuei na PUC-Campinas, onde formei o primeiro grupo de pesquisa na área de química da universidade. Sem acesso a programas de pós-graduação, neste período orientei 55 alunos de IC, com auxílio financeiro principalmente da FAPESP (JP e auxílios regulares) em pesquisas das áreas de adsorção e de catálise. As primeiras orientações de pós-graduação ocorreram após credenciamento na Faculdade de Engenharia Química da UNICAMP, numa parceria com a Profa. Dra. Elizabete Jordão.

Desde 2008 atuo na Universidade Federal do ABC. Temos um grupo de pesquisa com forte atuação na área de catálise homogênea e heterogênea e também na investigação de processos de adsorção. Os principais projetos em andamento estão relacionados a produção de catalisadores, conversão de biomassa e tratamento de efluentes por adsorção seletiva. Na UFABC orientei 20 dissertações e 5 teses, além da supervisão de 3 pós-doutoramentos, sendo a grande maioria dos trabalhos na área de catálise heterogênea. Ex-alunos mantiveram sua atuação na área de catálise, como profissionais da indústria química ou docentes do ensino superior (UNIFESP, UFGD). Também participo do Núcleo de Tecnologias Sustentáveis, que reúne 10 pesquisadores de distintas áreas, com o objetivo de propiciar o desenvolvimento e aperfeiçoamento de processos que utilizam biomassa, resíduos ou rejeitos industriais para a possível criação de iniciativas de inovação e de novos negócios. Na gestão, já atuei como Coordenador do Bacharelado em Química, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia/Química e do Doutorado Acadêmico Industrial (DAI), e também como Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação. Atualmente, sou o Vice-Reitor da Universidade.

Na pesquisa, temos diversas colaborações internacionais: Prof. Georgiy Shul’pin (Rússia), Profa. Isabel Fonseca, Prof. Armando Pombeiro, Dra. Marina Kirillova e Prof. Alexander Kirillov (Portugal), Prof. Jorge Sepúlveda Flores (Argentina), Prof. Ryong Ryoo (Coréia do Sul), Prof. Pierre Dixneuf e Dr. Christian Bruneau (França), Prof. Vladislav Sadykov (Rússia) e com o Prof. Paolo P. Pescarmona (Holanda). O Prof. Pescarmona atuava no “Centre for Surface Chemistry and Catalysis” da Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, onde realizei um estágio em 2012. No Brasil, destaco colaboração com diversos pesquisadores do IPEN, UNIFESP, UNICAMP, UFAL, UFGD, UFSCar e USP-São Carlos. Todos os alunos de doutorado sob minha orientação realizaram parte de seus trabalhos nos laboratórios dos nossos colaboradores no exterior. Financiamentos da FAPESP, do CNPq, da CAPES e da Finep tem permitido o desenvolvimento dos projetos e a manutenção dos laboratórios. Em 2016 recebi o Prêmio UFABC de Inovação.

Finalmente, mas não menos importante, tive o enorme prazer de compartilhar a Diretoria da Sociedade Brasileira de Catálise nos biênios 2015-2017 e 2017-2019 com o saudoso professor e amigo Victor Teixeira da Silva.

Catálise no Brasil, também faz parte da minha vida!

08 09 SBCAT Noticia GeraldoNarcisoNão gostaria de usar este espaço para colocar apenas informações como se fosse um CV, mas mais para contar um pouco como iniciei e um pouco da minha trajetória com a preocupação maior de levar uma mensagem aos jovens: de que mesmo com todas as dificuldades é possível se construir algo, por mais que pareça impossível. A construção de um sonho leva anos, décadas e você pode nem mesmo vê-lo consolidado, mas não importa, o importante é contribuir. Sou graduado em Química Industrial pela Universidade Federal do Pará (1978) e Mestre em Ciência e Tecnologia de Polímeros pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1985). O meu verdadeiro contato com a Catálise se deu ao iniciar (1989) o meu Doutoramento na Université Pierre et Marie Curie - Paris/França, hoje Université Sorbonne, sob a orientação do Professor Gérald Djega-Mariadassou. A temática da tese foi toda voltada para a obtenção de combustíveis renováveis a partir de óleos vegetais usando catalisadores heterogêneos. Na época, todos os grupos importantes no Brasil em Catálise estavam situados nas regiões Sudeste e Sul. O Nordeste já contava com alguns grupos, mas na sua maioria, ainda formados por jovens pesquisadores.

A Catálise no Brasil foi desenvolvida em cima de trabalhos ligados a Indústria do Petróleo. Tendo isto em mente, ao terminar o Doutorado e com a obrigatoriedade de retornar ao Brasil e à minha Universidade de origem (Universidade Federal do Pará) surgiram várias perguntas extremamente inquietantes: Como desenvolver trabalhos com catálise heterogênea em uma região e em uma Instituição onde toda a pesquisa era voltada para Produtos Naturais? Como desenvolver trabalhos com catálise em uma região sem massa crítica e nem infraestrutura apropriada para trabalhos na área? Como conseguir financiamento para projetos em Catálise em um Estado que nunca produziu petróleo? A partir destas constatações tomamos a decisão de lutar para que a catálise tivesse um lugar na região ou pelo menos na Instituição. Ao longo destes quase 30 anos tivemos várias vitórias, mas também muitas derrotas. Das vitórias, criar um grupo de catálise voltado para o desenvolvimento de catalisadores para obtenção de combustíveis renováveis e produtos químicos de alto valor agregado com uma infraestrutura mínima para desenvolver trabalhos na área e a formação de dezenas de profissionais que hoje desenvolvem atividades nesta e em outras instituições, profissionais estes que terão como responsabilidade levar a catálise a um patamar mais elevado que o alcançado até o momento. Sem dúvidas, consideramos que somos parte da construção de algo e que teremos que lutar por gerações para termos grupos de pesquisa consolidados e com reconhecimento Nacional e Internacional em Catálise na Região Amazônica. A minha geração foi a partida e aos que vêm, o céu é o limite! Obrigado.

24 08 SBCAT Noticia SoraiaMeu interesse pela Catálise surgiu durante a iniciação científica, sob orientação da Profa. Adelaide Viveiros (IQ-UFBA), e nos estágios do curso de Engenharia Química da UFBA, na Oxiteno/ Setor de Engenharia de Processos (Camaçari, BA), e na COPENE (atual Braskem)/ Divisão de Pesquisa em Catálise (DICAT), sob supervisão da Dra. Maria Isabel Pais da Silva, atualmente, professora de Engenharia Química da PUC-RJ. A participação em um curso extracurricular sobre fundamentos em Catálise heterogênea, em 1986, também foi importante para a definição da futura área de atuação profissional, a pesquisa em Catálise.

No final do curso de graduação em Engenharia Química (junho de 1988) fui aprovada na seleção para o curso de Especialização em Petroquímica da Petroquisa (CENPEQ) e na Seleção para o curso de Especialização em Petroquímica, oferecido pela Universidade de Bolonha (UNIBO), em parceria com o grupo ENI (empresa de petróleo italiana) e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores Italiano. Vislumbrando atrelar uma boa formação acadêmica a uma experiência internacional, optei pelo curso de especialização oferecido pela Universidade de Bolonha/ENI, uma das mais tradicionais instituições de ensino, fundada no ano de 1088.

Durante a disciplina de Cinética e Catálise, ministrado pelo Prof. Ferruccio Trifirò (UNIBO), renomado pesquisador em Catálise para Oxidação, houve o convite para realizar o trabalho de conclusão do curso de especialização no seu grupo de pesquisa. Assim, em janeiro de 1989 iniciei o estágio em pesquisa, no Departamento de Química Industrial da UNIBO, sob a supervisão do Prof. Gabriele Centi (atualmente na Universidade de Messina), sobre a Oxidação seletiva de n-butano utilizando catalisadores heteropolicompostos.

Ainda em 1989, houve a possibilidade de prestar seleção no doutorado no Politecnico di Milano (POLIMI), Dipartimento Giulio Natta, no grupo de pesquisa em Catálise, coordenado pelo Prof. Pio Forzatti. Ao ser aprovada na seleção, iniciei o doutorado em setembro de 1989 sobre o estudo de catalisadores perovskitas na reação do acoplamento oxidativo do metano, visando a conversão direta do metano em etileno, sob orientação do Prof Pierluigi Villa e coorientação do professor Luca Lietti.

Com o apoio da bolsa de estudos italiana, houve a possibilidade de apresentar os resultados em congressos prestigiosos em Catálise, como o 10th International Congresso in Catalysis (ICC), em Budapest (1992), o que na época só era factível para pouquíssimos pesquisadores brasileiros consolidados. Nestes congressos foi possível discutir resultados e ter novas ideias para a tese. Durante o doutorado houve também interação com o Centro de Pesquisas da Snamprogetti (atualmente SAIPEM), vivenciando a pesquisa tecnológica. Interessantes resultados foram obtidos, e foi depositada uma patente industrial pela Snamprogetti envolvendo alguns dos catalisadores sintetizados durante o doutorado, além da publicação de artigos científicos.

Após a defesa de doutorado em 1993, fui contratada como pesquisadora, pela empresa Becromal SpA (Milão) para o desenvolvimento de materiais utilizados na fabricação de capacitores eletrolíticos. A Becromal é um dos maiores produtores mundiais de folhas de alumínio, a principal matéria-prima utilizada para a construção de capacitores eletrolíticos de alumínio, garantindo a funcionalidade de quase todos os circuitos eletrônicos e aparelhos elétricos, incluindo aplicações em energias renováveis (eólica, solar) e todos os tipos de fontes de alimentação.

Em 1994 houve um convite para participar de um concurso no Instituto de Química da UFBA, e a possibilidade de retornar à casa após tantos anos no exterior, foi um misto de alegria e desafio, em função da discrepância entre as condições de trabalho em pesquisa. Em junho de 1994 fui aprovada no concurso para professor Adjunto no Departamento de Química Geral e Inorgânica, do Instituto de Química da UFBA (IQ-UFBA). Assim, aceitei o desafio, finalizei minhas atividades na Becromal SpA, em dezembro 1994, e ingressei na UFBA em janeiro de 1995.

No período de 1995 a 1997 integrei o grupo de pesquisa em Catálise do IQ-UFBA, atual LABCAT, coordenado pela Profa. Heloysa Andrade, a quem agradeço a oportunidade propiciada. Com a aprovação do primeiros projeto de pesquisa em 1997, na área de Catálise para polimerização utilizando catalisadores metalocenos, obtive espaço físico, e com outros docentes IQ-UFBA, a Profa. Zênis Novais, a Profa. Maria Luiza Corrêa e o Prof. Emerson Salles, foi criado o Grupo de pesquisa em Catálise e Polímeros (GCP), que coordeno desde sua criação, em 1997.

Coordenei vários projetos de pesquisa, CNPq, FINEP, FAPESB, alguns em parceria com a indústria (Braskem e Petrobras) que propiciaram a instalação de uma considerável infraestrutura para a pesquisa em Catálise no GCP, além da criação do Laboratório de raios X e microscopia do IQ-UFBA. Durante as pesquisas em Catálise para polimerização, tivemos a colaboração do saudoso e competente Prof. Roberto Fernando de Souza e do Prof. João Henrique Zimnoch dos Santos (IQ-UFRGS). Ressalto também a importante colaboração da Profa. Simoni Margareti Plentz Meneghetti e do Prof. Mario Roberto Meneghetti (UFAL).

Atualmente estou envolvida, prioritariamente, em pesquisas referentes ao desenvolvimento de catalisadores para obtenção de hidrogênio, combustão catalítica, e conversão de biomassa e de óleos vegetais.

Atuo nos Programas de Pós-graduação em Química (PGQUIM) e Engenharia Química da UFBA (PPEQ) tendo formado 24 mestres, 12 doutores, e mais de 50 alunos de IC e ITI. Dois ex-alunos, a Profa. Lílian Simplício e, recentemente, o Prof. Denilson Costa, foram aprovados em concursos no IQ-UFBA, e integram o GCP. Outros ex-alunos ingressaram em instituições de ensino como UFRB, IFBA e SENAI e na Indústria (Braskem). Ter auxiliado na formação destes profissionais me orgulha profundamente, pois representam nosso futuro!

Coordenei a organização do 10º Congresso Brasileiro de Catálise (CBCat), em Salvador (1999), contando com o apoio do Prof. Luiz Pontes e da Profa. Heloysa Andrade, ambos grandes entusiastas que ajudaram a disseminar a Catálise pelo Nordeste. Participei das comissões organizadoras de vários CBCats e dos encontros regionais da regional 1, os ENCATs.

Realizei estágios de pós-doutorado sobre preparação de catalisadores estruturados, com o Dr. Pedro Ávila e a Dra. Ana Bahamonde, no ICP-CSIC (Madri); experimentos in situ de combustão catalítica, com os professores Luca Lietti e Gianpiero Groppi (POLIMI) e caracterização de catalisadores por HRTEM, com o Prof. François Bozon-Verduraz (ITODYS, Paris 7).

Fiz parte da Diretoria da SBCat, e do Comitê científico da Rede Nacional de Combustão (RNC), da Rede Nacional de Hidrogênio e da Rede de Catálise do Norte e Nordeste (RECAT). As atuações em redes foram muito importantes por aumentarem o intercâmbio com outros pesquisadores e consolidar as linhas de pesquisa do GCP.

Dentre os colaboradores de outras instituições gostaria de lembrar do saudoso e competente, Prof. Victor Teixeira da Silva (NUCAT-COPPE), a quem carinhosamente chamava de primo, com quem coordenei um projeto CAPES/CNPq-PROCAD. Ressalto as colaborações com o Dr. Fabio Bellot Noronha e Dr. Marco André Fraga (INT), Dra. Cristiane Rodella Barbieri (LNLS-CNPEM), Profa. Elisabete Assaf (USP-São Carlos), Prof. José Geraldo (UFPE), Profa. Marluce da Guarda (UNEB) e o Prof. Carlos Augusto Pires (DEQ-UFBA). Destaco a colaboração do Prof. Roger Fréty (atualmente professor visitante, DFQ-UFBA), grande pesquisador francês, que muito ajudou a implantar a Catálise no Brasil.

Mantenho ainda fortes parcerias com instituições italianas, em especial o POLIMI, onde um competente ex-aluno, o Dr. Roberto Batista da Silva Jr. está atuando como pesquisador visitante; e o Instituto Italiano de Pesquisas em Combustão (CNR-IRC, Nápoles), com o Dr. Stefano Cimino e a Dra. Luciana Lisi.

Foram muitos anos de trabalho árduo e conquistas! Agora os desafios são maiores, mas seguimos em luta pela Ciência!

31 08 SBCAT 2020 Publicacao NotíciaEduardo Falabella Sousa-Aguiar é carioca, engenheiro químico pela Escola de Química/UFRJ, com mestrado e doutorado em Catálise. De uma família de professores universitários, o lema em sua casa era “mens sana incorpore sano”. Seu bisavô, seu avô, e seu pai, Edmo Costa Sousa-Aguiar, eram arquitetos. Eduardo diz que se tornou engenheiro químico “por teimosia”.O influenciaram seu primo e padrinho, Edgard Sousa-Aguiar Vieira, engenheiro químico e PhD, e sua tia e madrinha Maria Helena Falabella, química e geóloga. Também foi de grande importância sua mãe, Maria Arminda Falabella Sousa-Aguiar, renomada professora de Literatura Francesa da UFRJ, que forjou seu gosto pelas letras.Era estudioso, mas também atleta. Foi nadador, campeão carioca dos 200m borboleta, tendo competido em campeonatos interestaduais e no exterior. A natação lhe proporcionou o sentido de disciplina, o que o ajudou na sua carreira de pesquisador.

Ao se graduar, ingressa, com sua amiga e Professora Emérita da UFRJ Adelaide Maria de Souza Antunes, no Mestrado do PEQ/ COPPE.Monitor do Prof. Martin Schmal, seu mentor e amigo, deve a ele seu interesse pela Catálise. Em 1978, ocorre o VI Congresso Ibero-americano de Catálise, presidido porSchmal. Colabora na organização e interagecom os professores David Trimm e Heinrich Noller. O curso do Prof. Noller sobre Catálise Ácido/Base revela um novo mundo para ele. Presta um concurso de bolsas do governo austríaco, tira primeiro lugar e ganha uma bolsa para estagiar na TechnischeUniversität Wien.

Antes, faz concurso para docente da área de Cinética e Termodinâmica da Escola de Química. Tira primeiro lugar, tornando-seProf. Assistente. Ingressa como membro da Comissão de Catálise do IBP, ajudando a organizar os primeiros Seminários de Catálise, em 1981 e 1983. Em 1985, é escolhido presidente do III Congresso Brasileiro de Catálise, em Salvador.
É contratado para trabalhar no CENPES. Vai para a Holanda, em 1985, para proceder à Transferência de Tecnologia da AKZO CHEMIE para o novo empreendimento. Ao voltar, em 1986, ajuda a instalar a Fábrica Carioca de Catalisadores, passando a trabalhar com o processo de síntese e modificação de zeólitas na planta. “Nada se iguala ao prazer de ver chegar à indústria uma rota que você idealizou, testou em laboratórioe fez o scale-up em planta piloto. Poucos têmessa realização, e eu a tive. Atuar na FCCSA fez toda a diferença na minha carreira profissional.”

Nunca abandona a docência.Diz: “toda universidade deveria ter professores em tempo parcial, que tenham vivido no mundo não-acadêmico”.Com o Prof. José Luiz Monteiro, orienta várias teses. Na FCC, colabora como saudoso Jorge Gusmão,publicando muitos artigos.Recebe o prêmio Governador do Estado de São Paulo por sua patente internacional sobre zeólitas fosfatadas. Criao conceito de acessibilidade e, com Maria Letícia Valle,patenteiao teste de craqueamento com triisopropilbenzeno.São dessa época as teses de excelentes alunos como Pedro Arroyo, Eledir Sobrinho, Celmy Barbosa, Marcos Pinhel, Lindoval Fernandes, José Marcos Ferreira, Henrique Cerqueira, Débora Forte, Maria Angélica Barros, Alexandre Leiras, Valmir Calsavara, Flávia Trigueiro, Cristina Hamelmann, Ricardo Pinto, Mirna Rupp e outros. Tais trabalhos muito contribuíram para o desenvolvimento da área de zeólitas no Brasil, formando profissionais que hoje atuam na Academia, na Indústria e no Governo.

Passa a integrar o programa internacional CYTED como ponto focal do Brasil no projeto sobre o desenvolvimento de uma zeólita A. A partir desse projeto, participa de diversos eventos do CYTED em 10 países, ministrando cursos.Por meio do CYTED, é convidado a integrar o SteeringCommitteedoInternational Centre for Science and High Technology da UNIDO/ONU, em Trieste, Itália. Como membro desse importante comitê, participa de inúmeras reuniões técnicas e de muitas publicações do ICS, sendo docente de vários cursos em diversos países. Organiza, em 1999, o International Workshop onCatalysis for Fine Chemistry, com mais de uma centena de pesquisadores de vinte países.

Dedica-seà síntese de Fischer-Tropsch. Passaa gerenciar, no CENPES, um grupo inovador intitulado Célula GTL que reunia especialistas da síntese de catalisadores à engenharia básica. Tal grupo gerou patentes e trabalhos científicos, sendo pioneiro no desenvolvimento de reatores de microcanais no Brasil.Começa uma importante colaboração com os professores espanhóis Mario Montes e José AntonioOdriozola. É eleito, com Martin Schmal e Fábio Bellot, presidente do 8th Natural GasConversionSymposium em Natal, 2007. Idealiza e cria, com apoio da Petrobras, a Rede Brasileira de Transformação Química de Gás Natural, que congregou mais de 70 pesquisadores de várias regiões do Brasil. Junto àilustre pesquisadora do INT Lúcia Appel, desenvolve um combustível alternativo, o dimetiléter erecebe o prêmio nacional da ABIQUIM.

Eduardo Falabella pode ser considerado um embaixador da Catálise brasileira e um desbravador. Primeiro brasileiro a proferir uma conferência plenária em um Congresso Ibero-americano (Cartagena, 1998),único sul-americano a ministrar uma Keynote convidada no 13th InternationalCongressonCatalysis, Paris, 2004, abriuum caminho para brasileiros. Em 2010, em Sorrento, Itália, foi eleito membro do CounciloftheInternationalZeoliteAssociation. Pela primeira vez um sul-americano ocupava tal posição. Foi escolhido para presidir a InternationalZeoliteConference, trazendoesse evento para a América do Sul, no Rio de Janeiroem 2016.Destaca a colaboração de seus amigos Claudio Mota, Cristiane Henriques e Heloise Pastore, sem cuja presença o congresso não teria sido realizado.
Começa a trabalhar em biomassanos anos 90, na tese de sua amiga e atual Professora Titular da UFPE, Celmy Barbosa. Recentemente, orientou teses em colaboração com o amigo Nei Pereira Jr., Professor Emérito da UFRJ, combinando Catálise Heterogênea com Catálise Enzimática. Declara que orientar alunos brilhantes como João Monnerat, Pedro Romano, Yuri Carvalho e Caio Rabello, ecolaborar com o querido Professor Donato Aranda, lhe deu ânimo para produzir mais. Suas publicações em conversão de biomassa o levaram a conferencista plenário no 1stInternationalCongressonCatalysis for biorefineries (CATBIOR), em Málaga, Espanha e no 2ndCATBIOR, em Dalian, China. Organiza o 3rdCATBIOR com a ajuda de Claudio Mota, Lucia Appel, Cristiane Henriques e Rochel Lago, no Rio de Janeiro, em 2015, gerando um volume da CatalysisToday.

Recebeu muitas condecorações. Destacam-se o Plínio Cantanhede, em 1994, o Governador Estado de São Paulo, em 1998, a Retorta de Ouro, em 2000, o prêmio Catálise e Sociedade em 2005, o Prêmio Nacional de Tecnologia da ABIQUIM, em 2008,e a Medalha Lavoisier do CRQ,em 2012.Recebeu, em 2013, o prêmio internacional James Oldshue do American InstituteofChemicalEngineers por sua contribuição à Engenharia Química Mundial. Em 2014, foi agraciado com o prêmio máximo da SociedadIberoamericana de Catálisis como investigador sênior. Em 2017, após proferir várias conferências convidadas na China, recebeu o título de Honorary Professor da China UniversityofPetroleum, Qingdao.

É Professor Titular do Departamento de Processos Orgânicos da Escola de Química da UFRJ. É poeta e contista premiado e está terminando seu primeiro romance. Segundo suas palavras, “a vida me deu muito; uma companheira (Christina) de todas as horas, um filho e uma nora dedicados, uma profissão que adoro“.

“Quem é Eduardo Falabella Sousa-Aguiar? Descobri, há anos, que não sou santo ou demônio, rei ou vassalo, sábio ou tolo. Sou, e tão somente, poeta. A poesia é a asa fugidia que me alça, a vela panda que me embala e impele. Na poesia sou corsário implacável a singrar mares não pacíficos, sou gaivota atrevida a mergulhar impune em canais gelados. Sou o nadador que descobre o pouco que importa quer se perca ou ganhe, quando se consegue beber a espuma das pernas dos primeiros sentindo nela um suave gosto de champanhe. Sou aquele que pretende iluminar as trevas de estradas não-trilhadas com enxames de vagalumes, que flutua indolente nas vagas tépidas de um mundo de sonhos, amando de forma indistinta e universal. Sou poeta e me orgulho disso. Sei que um dia me calarei. Mas até lá, permitam-me exercer meu canto, que não assusta nem fere. Entendam meu silêncio quando as sombras me inundam, abracem meu riso quando a luz me invade. E, sobretudo, aceitem esse homem que só quis ser ele mesmo...”

10 08 SBCAT 2020 Publicacao NotíciaLá se vão 44 anos desde que escolhi a Engenharia Química como profissão, em 1977.  Que saudade! Na graduação, fui monitor na disciplina Controle de Processo, na qual aprendi a instalar os controles de uma planta piloto de produção de etanol, nos fundos do prédio da EQ/UFRJ. Porém, me entusiasmei pela catálise nas aulas show do professor, e amigo de sempre, Eduardo Falabella, que me convidou para desenvolver um trabalho em parceria com a indústria. Sempre tive vontade de aprender e realizar no campo, na planta industrial. Fui nessa. O tempo passou rápido e, em junho de 1981, terminei a graduação na UFRJ. Formei-me em 1981 e queria trabalhar na indústria. A crise (sempre há uma crise) e uma oferta imperdível mudaram meus rumos: fui contratado como engenheiro, em setembro de 1981, em um projeto da COPPETEC para ajudar no desenvolvimento de uma pilha alcalina a hidrogênio. Indescritível, top da ciência na época! Fiquei empolgado. E o salário era muito bom! De quebra, cursei, a partir de março de 1982, o Mestrado em Engenharia Metalúrgica e de Materiais na COPPE/UFRJ. O tema da dissertação foi “eletrodos de níquel Raney para a eletrocatálise do hidrogênio”. Defendi a dissertação em maio de 1984, sob orientação da saudosa professora Aída Spínola e uma plêiade na banca: Horário Macedo, Giulio Massarani e Oscar Rosa Matos. Enquanto finalizava a dissertação, fui contratado para um trabalho na Bahia: fazer a imobilização da a-amilase em celulose microcristalina em projeto de tecnologia para produção de álcool etílico a partir da mandioca.

Terminando o mestrado, caí no mundo e mandei o currículo para algumas empresas. Enquanto isso, o professor José Luiz Monteiro me chamou para ser bolsista de um projeto tecnológico na UFRJ. Medidas de fluxos em meio trifásico, utilizando radiação gama. Muito bom trabalhar com ele. Fiquei pouco tempo no projeto e fui selecionado, pelo Marco Ebert e o Fernando Lira, para a Copene (atual Braskem), em novembro de 1984. Era para ajudar na criação de um centro de tecnologia da Empresa na Bahia. Bom, perdi o primeiro “Rock in Rio”, em 1985, mas fiquei na Bahia, onde construí minha vida: família, trabalho e amigos.

Na Braskem, segui a carreira na catálise com pesquisa aplicada, visando ao entendimento dos catalisadores da empresa e, principalmente, à aplicação da catálise no processo industrial. Em 1986, fiz uma pós-graduação latu sensu em Cinética e Catálise, tendo professores como Levenspiel, Grange e Trimm e Ulf entre outros. Em 1987, fiz um treinamento no processo de reforma catalítica de nafta na Universal Oil Products (UOP), em Chicago e, em seguida, passei três meses no Instituto de Catálise e Petroquímica da Argentina (INCAPE), em Santa Fé, com o saudoso Prof. Jose Parera e o ilustre Prof. Carlos Apesteguia. Grande vivência com os hermanos e amizades eternas. Trabalhei com Pt-Re/Al2O3 na reforma de nafta, otimizando a acidez para as reações que ocorrem nos quatro reatores de leito fixo radial da Planta. Na bancada de laboratório, trabalhei com reatores diferenciais, integrais de leito fixo e reatores com reciclo interno (tipo Berty/Carberry), na preparação de catalisadores para o processo de isomerização de xilenos e etilbenzeno e desenvolvi um sistema para carregamento de catalisadores em reatores que aumentou em 20% a capacidades de várias plantas industriais. 

Em 1989 me envolvi com a gestão de PDI na Braskem, mas continuei na vida acadêmica fazendo o doutorado na Unicamp com o saudoso professor Mario Mendes, tendo um estágio na USP, com o fantástico professor Cláudio Oller e boas discussões com o Prof. Galo Le Roux. O assunto foi a modelagem cinética das reações de reforma catalítica de nafta. Nessa época, representei, por alguns anos, a Bahia na Comissão de Catálise do IBP e participei da reunião que decidiu criar a SBCat e lançar o Congresso Brasileiro de Catálise, em 1997.  Sob supervisão de Professor ícone Dilson Cardoso, ajudei na escrita do primeiro estatuto da SBCat. Saí da Braskem em novembro de 1996. Defendi a tese em janeiro de 1997, visando a um concurso para professor da UFBA, onde fiquei por 8 meses.

Em 1996, em Natal, aconteceu o 1º Encontro Regional de Catálise, brilhantemente organizado pelo amigo Prof. Antonio Araujo, da UFRN. Outros onze encontros aconteceram desde então, a cada dois anos, organizados por professores guerreiros, levando a motivação da catálise ao Nordeste, Norte e Centro Oeste do País. O próximo Evento será em Teresina, de forma virtual ou presencial, como o Covid determinar. Pude colaborar com esses Encontros, através da Rede de Catálise do Norte-Nordeste (RECAT) e do Instituto Brasileiro de Tecnologia e Regulação (IBTR). A RECAT marcou uma época! O apoio da FINEP, tendo em destaque o Rogério Medeiros e o Sérgio Alves, bem como a participação da Petrobras, nas pessoas de Oscar Chamberlain, Lam Lao e Rodolfo Roncolatto, permitiram que os pesquisadores em catálise dessas regiões se unissem trocando experiência e compartilhando infraestrutura.

O Congresso Brasileiro de Catálise foi hospedado várias vezes no Nordeste: em 1999, em Salvador, organizado pela Professora Soraia Brandão; em 2007, organizamos o evento em Porto de Galinhas, Pernambuco, em coorganização com a querida Profa. Celmy Barbosa e tendo Prof. Antonio Araujo na Comissão Científica; em 2015, levamos novamente para a Bahia, em Arraial d’Ajuda, Porto Seguro, onde fiquei responsável pela organização e a eficiente professora Maria do Carmo comandou a Comissão Científica.

Em meu caminho profissional, aceitei um convite do Prof. Manoel Barros, uma das pessoas mais marcantes em minha vida, para criar cursos de engenharia e consolidar a pós graduação, na Universidade Salvador (Unifacs), que despontou por suas características de inovação e investimentos na pós-graduação e na pesquisa. Com uma excelente equipe, em 20 anos, conseguimos trazer para a Unifacs nomes importantes das áreas de catálise, polímeros e adsorção, como os professores Roger Frety, Humberto Polli, Leila Aguilera, Antonio Osimar, Eledir Sobrinho, Luciene Carvalho e Elba Gomes entre outros. Em 2007, a convite da professora Silvana Mattedi, criamos um Doutorado em Engenharia Química, em associação ampla UFBA/Unifacs. A parceria continua desde então e muitos professores têm levado o curso a um alto patamar científico. Voltei à UFBA, como professor em tempo parcial, em 2011. Em julho de 2017, me fixei, definitivamente, na UFBA, como professor em dedicação exclusiva. Em 2018, recebi, com muito orgulho, o título de Professor Emérito da Unifacs e, em 2019, recebi da Presidente da SBCat, a incrível professora Sibele Pergher, o título de Sócio Honorário da SBCat. Emoção pura!

Sim, lá se foram 44 anos. Parece que foi ontem. Como é bom ser professor! A convivência com os jovens é muito rica. A pesquisa permite essa interação e me rejuvenesce.

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