Herramientas de Accesibilidad

07 03 SBCAT QuemSomos NotíciaSou natural da Rússia, nasci numa pequena cidade na Sibéria numa família de professores. A minha juventude coincidiu com uma época de rápido progresso da Ciência e Tecnologia na União Soviética. A profissão de cientista era uma das mais prestigiadas e respeitadas na sociedade, o que despertava um grande interesse entre os jovens. Como resultado da participação em olimpíadas escolares de física e matemática, fui selecionada para cursar o 2o grau no colégio interno da Universidade Federal de Novossibirsk com programa com ênfase em ciências exatas. O colégio e a universidade faziam parte da Academia de Ciências da União Soviética.

No último ano do ensino médio me interessei pela Fisico-Química e em 1970 entrei para o curso de Química da Universidade Federal de Novossibirsk, escolhendo a Catálise como a área de minha especialização. Ingressei em 1973 na Cátedra de Catálise, cujos professores eram pesquisadores do Instituto de Catálise da Academia de Ciências. Durante dois anos eu estive desenvolvendo o trabalho de conclusão de curso no grupo de Catálise por Heteropoliácidos deste Instituto sob a orientação do Prof. Klavdii Matveev. O meu interesse por esta fascinante área permanece até dias atuais. Mantenho uma efetiva colaboração com o meu ex-colega do grupo – Prof. Ivan Kozhevnikov (University of Liverpool, UK), o qual se tornou uma referência internacional no campo de heteropoliácidos.

Em 1975, entrei no programa de doutorado do Instituto de Catálise sob a orientação do Prof. Yuri Yermakov e Dr. Vladimir Likholobov. O tema do meu projeto foi o desenvolvimento de processos homogêneos para a oxidação seletiva de olefinas. A catálise por complexos de metais de transição atraía grande atenção naquela época, devido à habilidade excepcional desses elementos em ativar os substratos orgânicos e promover interações entre eles. Pensando nas opções entre os vários grupos do Instituto para meu doutorado, decidi trabalhar nessa promissora área, o que acabou determinando o rumo de toda a minha carreira científica. Desde então, a Catálise Organometálica continua sendo o meu principal interesse e a principal área da minha atuação em Catálise.

Em 1978, fui contratada como pesquisadora pelo Instituto de Catálise em Novossibirsk (atual Boreskov Institute of Catalysis). A maioria dos nossos projetos envolvia processos com uso de derivados de petróleo como matéria prima. Devido a isso, além de realizar a pesquisa básica, mantivemos uma constante colaboração com a Indústria Petroquímica desenvolvendo projetos aplicados. No final dos anos 80, encontrei primeiros brasileiros na minha vida – um grupo de cientistas-catalíticos – Martin Schmal, Maria Isabel Pais da Silva, José Luiz Monteiro e Paulo Leite (CENPES/Petrobras) – visitou nosso Instituto, estando eu envolvida na recepção deste grupo. Naquela época não poderia imaginar que poucos anos depois o Brasil iria se tornar a casa para minha família. Em 1990, tive oportunidades muito raras para um cientista da União Soviética: um estágio na Alemanha (Ludwig-Maximilians-Universität München) no grupo do Prof. Helmut Knözinger e o outro estágio na Inglaterra (Humberside Polytechnic) no grupo do Dr. Alan Allison. Essas experiências internacionais foram muito importantes para ampliar meus horizontes científicos e pessoais.

Em 1992, meu marido Nikolai Goussevskii foi convidado como Pesquisador-Visitante pelo Instituto de Matemática da USP em São Paulo e, em novembro, nossa família chegou no Brasil. Ao procurar o Instituto de Química da USP, fui convidada pelo Prof. José Manuel Riveros a lecionar um curso de Catálise no programa de pós-graduação. Inicialmente permaneci com uma bolsa da Pró-Reitoria de Pesquisa e depois como Pesquisadora-Visitante do CNPq desenvolvendo projetos na área de catálise com Prof. João Valdir Comasseto e Profa. Anna Maria Felicíssimo. Em maio de 1993, na Reunião Anual da SBQ em Caxambu conheci várias estrelas da catálise brasileira, entre elas Ulf Schuchardt, Roberto de Souza e Jairton Dupont. Logo depois, fui convidada pelo Prof. Martin Schmal para promover seminários na UFRJ e no CENPES, onde conheci Eduardo Falabella e Octavio Antunes, entre outras pessoas. Em 1993 ainda, num Workshop em Catálise na USP conheci o Eduardo Nicolau dos Santos. Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos à essas pessoas e à toda comunidade científica do Brasil, que me receberam de braços abertos, proporcionando-me a oportunidade de continuar minha atuação profissional.

Em 1994, nos mudamos para Belo Horizonte, onde meu marido e eu fomos contratados pela UFMG, primeiro como professores visitantes e em 1995 como professores do quadro permanente dos Departamentos de Matemática e de Química, respectivamente. O meu ingresso na UFMG foi incentivado pelo Prof. Eduardo Nicolau dos Santos, na época um recém-contratado professor da UFMG. Desde então, somos parceiros no Grupo de Catálise. No início de nossas atividades tivemos forte apoio do Prof. Carlos Filgueiras e outros colegas do Departamento. Acredito que ao longo dos anos seguintes conseguimos criar um grupo científico produtivo, em ambiente de cooperação, criatividade e apoio mútuo, onde os alunos não somente completam sua formação acadêmica, mas também desenvolvem o interesse e a curiosidade pela ciência e aprendem os fundamentos éticos da pesquisa e da colaboração científica.

O principal interesse do nosso grupo está focado no desenvolvimento de processos catalíticos para a valorização de matéria-prima proveniente da biomassa, renovável e disponível no Brasil, com ênfase especial na oxidação seletiva, hidroformilação, hidrogenação e transformações catalisadas por ácidos. O grupo vem mantendo várias colaborações nacionais e internacionais. Em 1997, fomos convidados para participar da Red CYTED de catálise homogênea (Programa Iberoamericano de Ciência y Tecnología para el Desarrollo), o que possibilitou estabelecer importantes contatos internacionais. Tivemos ou temos colaborações com grupos de pesquisa da Inglaterra, França, Alemanha, Mexico, Rússia, Espanha, Colômbia, Portugal e Venezuela. Em 2009, pelo convite do saudoso Prof. Faruk Nome nós integramos o INCT-Catálise, do qual fazemos parte até os dias atuais, o que impactou significativamente o progresso do grupo.

Tenho o maior orgulho de ser sócia-fundadora da Sociedade Brasileira de Catálise, onde tenho muitos colegas, amigos e colaboradores. Fiz questão de participar pessoalmente em todos os Congressos Brasileiros de Catalise desde sua 8o edição realizada em 1995 em Nova Friburgo/RJ. Durante a minha carreira, tive o privilégio de trabalhar com excelentes colaboradores e excelentes alunos. Gostaria de deixar aqui meus agradecimentos a todos eles pela sua dedicação, entusiasmo e grande contribuição para o desenvolvimento de nossa pesquisa.

17 05 SBCAT noticia Professor Dr. Jean Marcel RNasci em São Paulo, mas me mudei para Campinas com 2 anos de idade. Meu pai é químico, mas não conversávamos muito sobre o tema e, por isso, ele se surpreendeu quando eu escolhi química no vestibular. Fui aprovado na UFSCar e na UNICAMP e, pela proximidade, escolhi a UNICAMP. Meu encontro com a UFSCar teria que esperar mais alguns anos.

Iniciei a graduação no IQ-UNICAMP em 2000 e logo nas primeiras semanas de aula comecei a procurar iniciação científica. Queria algo aplicado e um colega de turma me sugeriu a catálise. Embora soubesse muito pouco sobre o tema, fui procurar na internet e encontrei o site da SBCat. Na lista de sócios encontrei o nome do Prof. Ulf Schuchardt.

No grupo do Ulf, foram 4 anos de iniciação científica. Em 2003, motivado pelo Ulf, participei do meu primeiro Congresso Brasileiro de Catálise, em Angra dos Reis-RJ, organizado pelo Prof. Victor Teixeira. Sai desse congresso com a certeza de que era na catálise que eu queria construir minha carreira.

No ano seguinte ingressei no mestrado, ainda sob orientação do Ulf e com coorientação da Profa. Heloise O. Pastore. Defendi o mestrado um pouco antes do 13° CBCat em Foz do Iguaçu, organizado pelo José Maria Bueno. Mal sabia eu que anos depois o Zé Maria viria a ser meu supervisor. Nesse congresso fiz minha primeira apresentação de trabalho na forma oral.

Em 2015, iniciei o doutorado em um programa de cotutela entre a UNICAMP e a UPO na Itália. Fui orientado pela Lolly e pelo Prof. Leonardo Marchese. Fique 3 anos na Itália e 2 no Brasil. Mesmo com essas idas e vindas, consegui participar do 14° CBCat em Porto de Galinhas, organizado pelo Prof. Luiz Pontes.

Defendi meu doutorado em 2010 e no mesmo ano me mudei para os EUA, onde fiquei até 2013 realizando pós-doutorado com o Prof. James Dumesic na University of Wisconsin-Madison. Mesmo longe do Brasil, em 2011 consegui participar do 16° CBCat em Campos do Jordão, organizado pelo Prof. Dalmo Mandelli e pelo Prof. Wagner Carvalho.

Voltei dos EUA em 2013 e comecei o pós-doutorado no grupo do Zé Maria no DEQ-UFSCar. Em 2014, fui contratado como professor de química inorgânica no DQ-UFSCar. Desde então venho dividindo laboratório com a Profa. Clelia Marques e contando com o apoio do Zé Maria.

O 18° CBCat, de novo organizado pelo Pontes, foi meu primeiro como professor. Em 2016, fui agraciado com o Projeto Jovem Pesquisador da FAPESP, que financiou o estabelecimento do meu grupo de pesquisa em conversão de biomassa. No mesmo ano fui convidado pelo Journal of the Brazilian Chemical Society para contribuir em uma edição especial dedicada a Pesquisadores Emergentes. Em 2017, recebi a Experienced Researcher Fellowship da Fundação Alexander von Humboldt e me mudei para a Alemanha. Passei um ano como Professor Visitante no grupo do Prof. Winfried Plass na Friedrich Schiller University Jena. Mesmo estando longe, não deixei de vir para o 19° CBCat, organizado pelo Prof. Luiz Carlos de Oliveira. Esse foi um dos CBCat mais marcantes na minha carreira, pois recebi o prêmio Pesquisador em Catálise da SBCat e fui eleito como Coordenador da Regional 3 da SBCat. Além disso, em 2018 fui eleito vice-coordenador da Divisão de Catálise da SBQ.

O 20° CBCat em São Paulo, organizado pela Profa. Daniela Zanchet e pela Profa. Liane Rossi foi muito especial, pois pude colaborar com a Daniela, a Liane, a Lolly e o Zé Maria na comissão executiva e na comissão científica. Aprendi muito com esses colegas e, em meio a todas as dificuldades, conseguimos organizar um grande congresso. Fui também reeleito Coordenador da Regional 3 da SBCat e em 2020 fui eleito tesoureiro da Divisão de Catálise da SBQ

Nesses primeiros anos da minha carreira acadêmica, tive a sorte de ter em meu grupo alunos de pós-graduação brilhantes, motivados e dedicados. São eles: Pedro H. Finger , Eduardo Scolari, Taynara Osmari, Juliana P. Lorenti, Matheus Costa, Natalia M. Cabral, José Lucas Vieira, Marcelo S. Lima, Gustavo D. Iga e Michelle S. Cordeiro. A eles deixo meu agradecimento. Graças ao trabalho desses jovens, em 2021, fui convidado para compor o Early Career Board da prestigiosa revista ACS Sustainable Chemistry and Engineering e também fui indicado pela ACS Industrial & Engineering Chemistry Research como 2021 I&EC Research Class of Influential Researchers. Além disso, fui convidado pelo European Journal of Inorganic Chemistry para contribuir em um Special Issue dedicado a Químicos Inorgânicos Latino Americanos.

A SBCat esteve presente em todas as etapas da minha carreira e participando dos CBCat pude aprender com grandes pesquisadores e fazer muitos amigos. Portanto, aos mais jovens, sugiro que participem e contribuam com a nossa Sociedade de Catálise.

08 03 SBCAT GeraldoEduardodaLuzJunior NotíciaMinha história começa no interior do Piauí. Nasci em Picos-PI e passei a infância em uma pequena cidade vizinha a que nasci, Itainópolis, onde cursei todo o Ensino Fundamental. Em 1992, parti para Brasília para cursar o Ensino Médio. Com excelentes professores, boa estrutura física e pedagógica, o Centro Educacional Gisno me possibilitou uma formação ampla e sólida nos três anos que lá estudei (1992 a 1994). Foi neste período, que comecei a me interessar por Biologia, Física e Química (sem distinção de preferência até então).

Não tendo consigo êxito no vestibular para ingressar para a faculdade de medicina da UnB, retornei ao Piauí e passei a residir em sua capital, Teresina, no início de 1996. Neste ano, a UFPI lançou um vestibular extra, com as vagas não preenchidas no certame normal. Por conta disso, não havia ofertas para todos os cursos; e, dentre os ofertados, o que chamou minha atenção foi o de Licenciatura Plena em Química. Tendo obtido êxito no vestibular, ingressei no referido curso em agosto do mesmo ano. No entanto, por ter passado concomitantemente no concurso do IBGE para trabalhar no censo populacional e agropecuário, como Agente Censitário Supervisor, assim como pelo sonho de cursar medicina, terminei trancando o curso. Com mais um insucesso na tentativa de ingressar para o sonhado curso, resolvi retomar minha matrícula no curso de Química em 1997.

Desde o início do curso fiz iniciação científica. O primeiro projeto PIBIC teve orientação do Prof. Dr .Francisco Carlos Marques da Silva e os três outros, do Prof. Dr. José Machado Moita Neto, que também orientou a minha dissertação de mestrado (2001-2003), desenvolvida na área de adsorção.
Dois meses depois de iniciar o curso de Química, comecei a ministrar aulas (monitoria) de Biologia, Física, Matemática e Química em um colégio da rede privada de Teresina-PI. Nos dez anos seguintes, ministrei aulas de Química em boa parte das escolas privadas da cidade, fui professor substituto do Departamento de Química da UFPI (2003-2004), professor da SEDUC-PI (2003) e ingressei na carreira do magistério superior da Universidade Estadual do Piauí - UESPI (2004). Já como professor efetivo da UESPI, em 2007, resolvi realizar doutorado. Ingressei em um Doutorado Interinstitucional ofertado pelo PG em Ciências e Engenharia de Materiais da UFRN ao IFPI. Depois de ter cursado todas as disciplinas e ter conversado com o Prof. Dr. Valter José Fernandes Júnior para me orientar, resolvi fazer a seleção para o PPGQ da UFRN. Aprovado, pedi demissão das escolas privadas, solicitei dedicação exclusiva na Universidade e me mudei para Natal-RN. Desta forma, somente em agosto de 2007 minha história na catálise começa.A minha tese de doutorado teve como objetivo a conversão de óleos vegetais em diesel verde por craqueamento termocatalítico sobre LaSBA-15 e foi desenvolvida entre 2007 e 2010 no Laboratório de Catálise e Petroquímica - LCP da UFRN, coordenado pelos Professores doutores Antônio Souza de Araújo e Valter José Fernandes Júnior. Neste período, participei da execução de alguns outros projetos de pesquisa e construí boas amizades (Anne Gabriella Santos, Vinícius Caldeira, Edjane Buriti, Stevie Lima, Solange Quintella, Kesia Castro, Marcela Barbosa, Marcílio Pelicano, Taisa Cristina, Ricardo Oliveira, Luzia Patrícia, Ana Melo, João Paulo, Amanda Gondim). Também neste período, participei do meu primeiro ENCAT, Salvador (2008), onde pude constatar a integração e amizade entre os catalíticos da Regional 1. Tive a mesma percepção no primeiro CBCat que participei (Campos do Jordão, 2011), comprovando, para mim, serem características da própria SBCat.

Atualmente, sou professor Associado II da UESPI, onde estou coordenando do PPGQ e já fui Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação e Pró-reitor de Administração. Junto com a Profa. Anne Gabriella (UERN) aceitei o grande desafio de coordenar a Regional 1 da SBCat (2019-2021).
Na UESPI, junto com os professores Reginaldo da Silva Santos e Laécio Santos Cavalcante, coordeno o Grupo de Estudos em Energias Renováveis & Tecnologias em Catálise - GreenTec, que conta com alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado e desenvolve pesquisas com óxidos semicondutores, em pó e filme, com aplicações fotocatalíticas (degradação de macromoléculas poluentes, inativação de microrganismos patogênicos e geração de hidrogênio) e com peneiras moleculares mesoporosas modificadas para aplicação na síntese de biocombustíveis.

 

11 05 SBCAT 2020 quemsomos NotíciaEu inicio esta descrição com grande honra e satisfação pelo convite da presidência da SBCat, mesmo enfrentando o desafio de falar sobre minha recente trajetória profissional na Catálise, diante de pesquisadores exemplares descritos no Quem Somos.

Após concluir a graduação em Química Industrial na Universidade do Estado da Paraíba (UEPB) em 2006, logo fui trabalhar em Brasília atuando como químico responsável em laboratórios de controle de qualidade de empresas que prestavam serviço técnico para órgãos federais. Depois de quase 3 anos atuando profissionalmente percebo que a área acadêmica motivava meus pensamentos, e assim planejo voltar para o Nordeste e cursar o mestrado acadêmico. Ao alcançar aprovação no Mestrado em Química (PPGQ) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por incentivo da grande amiga de graduação e doutoranda no PPGQ/UFRN, Edjane Buriti, iniciei a busca por orientação. Por indicação de Edjane, conheci o Laboratório de Catálise e Petroquímica (LCP/UFRN) coordenado pelo docente e pesquisador Dr. Antônio Souza de Araújo, que prontamente me aceitou como orientando. Na ocasião, relatei o interesse em pesquisar sobre biocombustíveis, pois já tinha experiência em trabalhar com óleos vegetais refinados, e devido a significativa quantidade de alunos investigando esta área no LPC, o prof. Antônio me sugeriu trabalhar com catálise. Neste momento, com certa insegurança por não conhecer nada da área, aceitei o desafio e na semana seguinte tinha que propor o tema para meu trabalho de mestrado.

Deste ponto em diante, a minha trajetória profissional se assemelha a uma síntese de zeólita. Do mesmo modo que iniciamos com uma busca no banco de dados da International Zeolite Association (IZA), fiz a minha pesquisa inicial, abordando a temática de síntese das zeólitas ZSM-12 e ZSM-5 para conversão de gasóleo de vácuo por reações de craqueamento, que logo em reunião com prof. Antônio foi bem vista e acatada. Em sequência, as atividades do mestrado se desenvolveram conforme o controle das variáveis para obtenção do gel de síntese, algumas fáceis de controlar, outras mais laboriosas. E em paralelo, a convivência com o grupo de pesquisa do LPC se aprofundava, proporcionando uma colaboração para escrita de um artigo científico com Anne Gabriella sobre o estudo cinético do biodiesel do óleo de girassol, que por fim rendeu uma publicação internacional e um namoro, alcançando 100% de rendimento conforme o próprio prof. Antônio alegremente comentava. Passados 2 anos sob a orientação do prof. Antônio, em 2011 eu conclui o mestrado e fui aprovado no doutorado do PPGQ/UFRN, de forma semelhante ao término de uma síntese e sua caracterização por raios-X, comprovando única fase zeolítica bem cristalina. Em continuidade com a orientação de prof. Antônio, sigo com a temática de síntese de zeólitas aplicadas em reações de craqueamento, porém trazendo a inovação de trabalhar com zeólitas de porosidade hierarquizadas. De modo equivalente às determinações das propriedades texturais das zeólitas, eu conheci a professora e pesquisadora Dra. Sibele Pergher, que sempre tornou acessível seus conhecimentos, desde os macroporos até o microporos, para contribuir e colaborar com a minha formação.
Desde o ingresso no mestrado, as participações nos encontros regionais, escolas e congressos nacionais de catálise promovidos pela SBCat oportunizaram o fortalecimento do meu conhecimento na área, permitiram a proximidade com reconhecidos pesquisadores no Brasil (dentre eles o Dr. Dilson Cardoso e Dr. Yiu Lau Lam), e revelaram a amizade e descontração entre os sócios da SBCat nas festas e jantares de encerramento. Como a detecção da composição química de uma zeólita e definição de sua razão molar Si/Al, eu percebi que esta área de atuação integralizava os meus desejos acadêmicos.

E no segundo ano do doutorado, eis que surge a oportunidade de um período sanduíche de 12 meses (PDSE), acordado com o prof. Antônio que seria na Universidad Rey Juan Carlos (Espanha) sob coorientação do Dr. David Serrano. Desbravando a primeira viagem internacional e o primeiro contato com os pesquisadores (David Serrano, Ángel Peral e Maria Linares) fui bem acolhido e recebido. Dedicado e empenhado durante os 12 meses de estágio alcancei resultados promissores para minha tese, e ao retornar para o Brasil, no final de 2013 defendo a minha tese intitulada “síntese e caracterização de zeólita Beta Hierarquizada e materiais híbridos micro-mesoporosos aplicados no craqueamento de PEAD” em 3 anos de doutorado. Em consonância com a árdua tarefa de determinar e quantificar os tipos e sítios ácidos de uma zeólita, se consolidar como docente e pesquisador no Brasil requer superar um grande obstáculo.

Por eventualidade, ainda em 2013, uma bolsa de pós-doutorado (PNPD/CAPES) surgiu na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN/Mossoró-RN), e fui aprovado para desenvolver o projeto de pesquisa intitulado “Desenvolvimento de catalisadores aluminosilicatos microporosos e mesoporosos para aplicações ambientais” sob mentoria do prof. Dr. Luiz Di Souza, coordenador do Laboratório de Catálise, Ambiente e Materiais (LACAM/UERN). No decorrer dos anos, me sinto bem acolhido por compartilhar as atividades acadêmicas ao lado de Anne Gabriella (atualmente companheira), Luiz Di Souza (eterno amigo, profissional e ser humano brilhante – in memorian) e demais docentes de Departamento de Química e Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais (PPGCN/UERN). E de forma similar à comprovação que a zeólita sintetizada demonstra eficiente atividade catalítica na reação modelo, no final de 2016 fui aprovado no concurso como professor do Departamento de Química (DQ/UERN).
No início de 2017, já sendo docente permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Naturais, tenho a primeira aluna de mestrado com a dissertação concluída, continuo o desenvolvimento de pesquisas na área de Catálise, contribuindo com os grupos de pesquisa em Nanomateriais e Tecnologia Ambiental na UERN, e colaboro com as parcerias e fortes relações profissionais conquistadas nessa curta trajetória. Mesmo diante de algumas adversidades, sempre desempenhei com muito esforço, dedicação e paixão as minhas atividades docentes e como pesquisador nos cursos de Licenciatura em Química e Mestrado em Ciências Naturais.

Como uma zeólita bem sintetizada, amplamente caracterizada e pronta para diversas aplicações, me sinto preparado para amadurecer minha experiência profissional em ensino e pesquisa, principalmente nas áreas de síntese de materiais catalíticos e adsorventes, tecnologias químicas aplicadas a processos ambientais, e síntese e caracterização de biocombustíveis. E por fim, eu gostaria de expressar a minha imensa gratidão à SBCat por possibilitar a conectividade entre pesquisadores nacionais e internacionais, ampliar a disseminação do conhecimento em catálise motivando graduandos e pós-graduandos, e incentivar relações profissionais que se convertem em afetuosas relações pessoais.

27 04 SBCAT noticia DrEscrever sobre si mesmo é a arte de não escrever demais, para não ficar enfadonho, nem de menos, para não esquecer de pessoas e fatos. Vamos lá. Sou carioca, nascido em março de 1969, filho de pai bancário, mãe dona de casa e um irmão mais novo. Nada que lembre química, engenharia química, ou, muito menos, catálise. Assim, minha inspiração para a área de química se iniciou na infância, brincando com os kits de Pequeno Químico que meu pai comprava. Também gostava de eletricidade em função do hobby de meu pai. Assim, logo depois de acabar com todas as soluções do Pequeno Químico, comecei a fazer experiências em Ueletrólise, quase ateando fogo em casa. Ou seja, química e eletrônica eram carreiras que estavam no radar.

Acabei entrando para o curso técnico em química na Escola Técnica Federal de Química/RJ. Desde as primeiras aulas de Química Geral Experimental I, percebi que aquele ambiente me agradava por me lembrar das brincadeiras da infância. Inesquecíveis professores de lá: Nabuco, Marcheson, Jussara Paixão, Marco Antônio, Reinaldo, José Luis e Falcon.

Em 1987, entrei para a Escola de Química/UFRJ para cursar Engenharia Química. Mas, ainda faltava o estágio da Escola Técnica que fiz no primeiro semestre daquele ano, no LADEQ/UFRJ sob orientação da Profa. Belkis Valdman. No estágio, entre as atividades que fazia, auxiliando uma tese de doutorado sobre fermentação alcoólica de melaço de cana com Saccharomyces cerevisiae, ia visitar uma sala ao lado da minha, com uns cromatógrafos. Lá, entre outras pessoas, trabalhava um rapaz com sotaque esquisito. Descobri que era um laboratório do NUCAT e depois soube que o rapaz era o Prof. Victor Teixeira da Silva fazendo parte de sua pós-graduação. Na graduação, também tive alguns professores marcantes, tanto no ciclo básico, como Roberto Faria e Gerson, quanto no profissional, como Vicente Gentil, Martin Schmal e José Luiz Monteiro.

Em 1992, me inscrevi no mestrado no Programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ. Fui procurar o Prof. Carlos Russo, que me ofereceu uma dissertação envolvendo a estação de esgoto da Penha, e o Prof. Martin Schmal, que me sugeriu conversar com a Profa Lídia Chaloub Dieguez. Feliz sugestão aquela! Fui orientado da Profa. Lídia por quase 10 anos entre mestrado, doutorado e projeto. Reputo à Profa. Lídia grande parte da minha formação como pesquisador, não apenas pela orientação acadêmica, mas também pela amizade, apoio, incentivo e dedicação. É minha madrinha na catálise e madrinha de casamento.

O mestrado foi sobre sistemas Pd/Al2O3 para catálise automotiva. Como não fiz iniciação científica em catálise, quem me ensinou a preparar meu primeiro catalisador foi o Robson Monteiro. Somente quem conviveu no porão do Bl H do Centro de Tecnologia da UFRJ onde ficavam os laboratórios nas salas 3 e 13, lembra das centopeias que circulavam pelos corredores. Mesmo assim, ciência muito boa se fazia ali num ótimo ambiente entre as pessoas. Aprendi muito com eles e com os técnicos do NUCAT, em especial, Ayr, Macarrão, Célio, Sidnei, Carlos André, Leila, Marcos Anacleto e Ricardo.

No doutorado, estudei catalisadores Cr/SiO2 tipo Philips para polimerização de etileno. O que motivou essa mudança de sistema e de reação, foi a minha participação, a convite da Profa. Lídia, num projeto da FINEP com a então OPP Petroquímica S.A. (atual Braskem S.A.), de Triunfo/RS. O projeto permitiu uma primeira visita ao Centro de Tecnologia da OPP em Triunfo/RS e o intercâmbio com seus pesquisadores. A partir deste projeto, iniciei minha experiência na orientação de alunos de iniciação científica e de pós-graduação, sempre sob a supervisão da Profa. Lídia. Tentei aprender com ela a ver quem tem o brilho nos olhos dentre os interessados em trilhar a carreira acadêmica. Geralmente, funciona! Até hoje, tenho tido muita satisfação de poder contribuir na carreira de vários alunos de graduação, mestrado e doutorado através da minha orientação compartilhada com professores da UERJ, UFF, UFRJ e IME.

Depois do doutorado, voltei à EQ/UFRJ, participando de um projeto da FINEP com a então COPENE S.A. (atual Braskem S.A.) com uma bolsa de pós-doc, a convite da Profa. Dra. Mônica Antunes.

Participei de todos os CBCATs desde 1995 e boa parte dos CICATs também. Mas, os mais marcantes para mim, foram os primeiros: o 8º. CBCAT em 1995 (que, nessa época era Seminário), e o 16º. CICAT em Cartagena de Índias na Colômbia (que, na época era Simpósio). Também fui a dois ICCs em Seul (2008) e Munique (2012). Em 2015, o Prof. Claudio Mota me convidou para participar da chapa que iria concorrer a Regional 2 da SBCAT junto com os colegas José Luiz Zotin, Maria Auxiliadora Baldanza, Alexandre Leitão e Cristiane Henriques. Foram dois períodos (2015/2017 e 2017/2019) muito produtivos, incluindo a retomada do ERCAT em 2018. Para o período de 2019/2021 formamos chapa com a “saída” da Dora, que foi para a Direção Nacional, e do Claudio, mas com a entrada do Prof. Fabio Toniolo. Apesar da pandemia COVID-19, mantivemos a atividade com dois minicursos com as Dras. Sonia Menezes Cristiane Rodela. Também realizamos o 4º. ERCAT. Todos virtuais. Coloquei a “saída” da Dora entre aspas porque ela segue tão ativa como nunca colaborando das atividades da Regional 2.

Entrei para o Instituto Nacional de Tecnologia no concurso de 2004 como tecnologista na área de Catálise onde desenvolvo meus trabalhos num espectro bem amplo no desenvolvimento de catalisadores para reações com aromáticos, glicerol, fotocatálise, entre outros. Fui Chefe do Laboratório de Catálise do INT por quase 10 anos e da Divisão de Catálise por pouco mais de 2 anos. Desde o início, tenho participado de projetos com todos os colegas do LACAT, em especial com a Dra. Lucia Appel em alcoolquímica. Destaco minha participação em projetos com a Lucia Appel e o Marco Fraga que permitiram obter o Prêmio Inventor da Petrobras por 3 anos seguidos (2011, 2012 e 2013). Sou bolsista de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora do CNPq nível 2 desde 2013

Enfim, nos lugares onde estive, COPPE, EQ, OPP/Braskem e INT sempre procurei aprender bastante, colaborar com os colegas e ajudar os orientados. Boa vontade para encarar os desafios e dedicação para tentar fazer tudo da melhor forma possível. Mas, não se faz nada disso sem orientação divina e apoio da família.

Topo